sábado, 7 de julho de 2012

Anjo Mau” Cria o Estilo de Escrever Comédia na Televisão
                                                   
Em 1976 Cassiano Gabus Mendes chegou a TV Globo, onde permaneceria até a sua morte. Estreou-se no horário das 19 horas, dirigido às comédias, com a novela “Anjo Mau”. A novela trazia uma forte vertente cômica, inaugurando uma nova fase de comédia no horário, que se iria perpetuar como estilo. O gênero comédia às 19 horas na TV Globo havia sido iniciado com Vicente Sesso na novela “Pigmalião 70” (1970), tornando-se característica do horário. “Anjo Mau” confirma o gênero comédia e dá às bases obrigatórias para os demais autores que viriam.

                                                                                                            
Até então, as protagonistas das telenovelas traziam um caráter integro, que se deparava com as vilanias das suas antagonistas. A novela muda, pela primeira vez, este caráter. Nice, interpretada magistralmente por Suzana Vieira, elevada pela primeira vez à protagonista global, é a anti-heroína, a babá malvada e ambiciosa, que por amor ao patrão Rodrigo (José Wilker), destrói o seu noivado com Paula (Vera Gimenez) e, conseqüentemente, com a doce Léa (Renée de Vielmond). Pela primeira vez na história da televisão a protagonista era má. Mas as características românticas de Nice superaram a sua vilania, e o Brasil apaixonou-se por ela. Rodrigo casa-se com Nice, mas faz com que ela sofra e pague por todas as maldades. Redimida e finalmente amada por Rodrigo, Nice morre ao dar à luz ao filho do seu amor. A sua morte, embora negada por Cassiano Gabus Mendes, teria sido uma imposição da censura da época, servindo de alerta moralista às tantas babás que sonhavam com o patrão. A cena da morte de Nice emocionou o Brasil, gerando a polêmica entre o público de que mais uma vez Suzana Vieira tinha perdido para Renée de Vielmond. Esta polêmica vinha desde a novela “Escalada” (1975), de Lauro César Muniz, em que a doce Cândida (Suzana Vieira) perdia o amor do marido Antonio Dias (Tarcísio Meira) para a bela Marina (Renée de Vielmond).
                                                         
                                        (Nice, Rodrigo e Léa um complicado triangulo amoroso)

Durante a novela, a atriz Vera Gimenez sofreu um acidente automobilístico que lhe deixou graves seqüelas no rosto, obrigando-a a um afastamento da novela para uma intervenção plástica. José Wilker e Renée de Vielmond, que iniciaram um romance durante a novela, casando-se por alguns anos, descontentes com as suas personagens, criaram alguns atritos com a direção; em conseqüência ficariam longe das novelas globais por alguns anos. Hortência Tayer, uma linda atriz em início de carreira, teve uma grande ascensão na novela, mas foi interrompida quando exigiu que lhe aumentassem o salário, um dos mais baixos do elenco, ela que viva Ligia, a mulher que conquistara o coração do mulherengo Ricardo (Luís Gustavo), foi excluída da novela, tendo apenas o seu nome mencionado pelas outras personagens. O grande destaque da novela foi para Stela, a ciumenta mulher de Getúlio (Osmar Prado), vivida com maestria por Pepita Rodrigues, em sua estréia na Globo. Outro que vinha da antiga TV Tupi para a emissora carioca era Luís Gustavo.

                                 (O divertido casal Stella e Getúlio eram o alívio cômico da trama)

“Anjo Mau” foi ao ar ainda em preto e branco, já nesta época os demais horários das novelas da TV Globo traziam produções coloridas. A novela teria uma nova versão em 1997, feita por Maria Adelaide Amaral. Nos primeiros capítulos o universo de Cassiano Gabus Mendes foi fielmente recriado, inclusive a elegância do seu texto e ironia da sua comédia. A partir de determinando momento, a história assumiu um aspecto de dramalhão, perdendo-se do original, e a Nice de Glória Pires tornou-se uma sofredora heroína mexicana; não havendo motivos para um castigo no final, a nova Nice não morre. Suzana Vieira é homenageada no último capítulo, aparecendo como a babá do filho de Nice e Rodrigo (Kadu Moliterno). Na primeira versão, a mesma cena era vivida por Débora Duarte, que fechava a trama com a criança no colo, a sorrir para Rodrigo, insinuando um futuro e conturbado romance, já que Nice estava morta.

                                                                       
                          




“ A atriz Suzana Vieira, nossa primeira Nice,
  A Cassiano Gabus Mendes, autor de Anjo Mau  e mestre de todos nós.
Em nome de toda a equipe e elenco meu respeito”



 

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