“Anjo Mau” Cria o Estilo de Escrever Comédia na Televisão
Em 1976 Cassiano Gabus Mendes chegou a TV Globo, onde permaneceria até a sua morte. Estreou-se no horário das 19 horas, dirigido às comédias, com a novela “Anjo Mau”. A novela trazia uma forte vertente cômica, inaugurando uma nova fase de comédia no horário, que se iria perpetuar como estilo. O gênero comédia às 19 horas na TV Globo havia sido iniciado com Vicente Sesso na novela “Pigmalião 70” (1970), tornando-se característica do horário. “Anjo Mau” confirma o gênero comédia e dá às bases obrigatórias para os demais autores que viriam.
(Nice, Rodrigo e Léa um complicado triangulo amoroso)
Durante a novela, a atriz Vera Gimenez sofreu um acidente automobilístico que lhe deixou graves seqüelas no rosto, obrigando-a a um afastamento da novela para uma intervenção plástica. José Wilker e Renée de Vielmond, que iniciaram um romance durante a novela, casando-se por alguns anos, descontentes com as suas personagens, criaram alguns atritos com a direção; em conseqüência ficariam longe das novelas globais por alguns anos. Hortência Tayer, uma linda atriz em início de carreira, teve uma grande ascensão na novela, mas foi interrompida quando exigiu que lhe aumentassem o salário, um dos mais baixos do elenco, ela que viva Ligia, a mulher que conquistara o coração do mulherengo Ricardo (Luís Gustavo), foi excluída da novela, tendo apenas o seu nome mencionado pelas outras personagens. O grande destaque da novela foi para Stela, a ciumenta mulher de Getúlio (Osmar Prado), vivida com maestria por Pepita Rodrigues, em sua estréia na Globo. Outro que vinha da antiga TV Tupi para a emissora carioca era Luís Gustavo.
(O divertido casal Stella e Getúlio eram o alívio cômico da trama)
“Anjo Mau” foi ao ar ainda em preto e branco, já nesta época os demais horários das novelas da TV Globo traziam produções coloridas. A novela teria uma nova versão em 1997, feita por Maria Adelaide Amaral. Nos primeiros capítulos o universo de Cassiano Gabus Mendes foi fielmente recriado, inclusive a elegância do seu texto e ironia da sua comédia. A partir de determinando momento, a história assumiu um aspecto de dramalhão, perdendo-se do original, e a Nice de Glória Pires tornou-se uma sofredora heroína mexicana; não havendo motivos para um castigo no final, a nova Nice não morre. Suzana Vieira é homenageada no último capítulo, aparecendo como a babá do filho de Nice e Rodrigo (Kadu Moliterno). Na primeira versão, a mesma cena era vivida por Débora Duarte, que fechava a trama com a criança no colo, a sorrir para Rodrigo, insinuando um futuro e conturbado romance, já que Nice estava morta.
“ A atriz Suzana Vieira, nossa primeira Nice,
A Cassiano Gabus Mendes, autor de Anjo Mau e mestre de todos nós.
Em nome de toda a equipe e elenco meu respeito”




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