Uma poderosa inimiga oculta e os loucos anos 20
Meu respeito e admiração por Manoel Carlos é muito maior do que se possa imaginar. Maneco mergulhou fundo no universo da escritora e tradutora brasileira Carolina Nabuco, adaptando para TV com delicadeza e competência um dos mais admiráveis romances de todos os tempos, transformando a trama de "A Sucessora" num sucesso retumbante.
Na história, o rico e inteligente Roberto Steen (Rubens de Falco) torna-se viúvo da bela Alice (Alessandra Vieira) e se casa com a inocente Marina (Susana Vieira). Mas todos que conheceram a falecida jamais esqueceram sua forte presença. A séria governanta Juliana (Nathalia Timberg) faz tudo para mostrar que Marina é uma intrusa naquela mansão.
(Susana Vieira e Rubens de Falco se apaixonaram de verdade)
Muitos foram destaques, como a excentrica Germana (Arlete Salles) e o seu jovem marido Vasco (Kadu Moliterno). Foi o reencontro dos atores Arlete e Kadu nas novelas. Ele já havia conseguido se estabelecer na televisão, já havia tido outras participações em novelas e foi escalado para um papel muito importante na trama de Maneco. Germana Steen era uma mulher madura, com um marido mais esportista, que ela dominava. Era ela quem tinha o dinheiro, que pagava tudo, que era a provedora do casal. Era um personagem extremamente ‘feminista’, porque tiranizava o marido e quando as amigas diziam: “Mas você não pode tratá-lo assim! Você o aprisiona muito”, ela respondia: “Posso! Eu pago e pago muito bem para ele ficar a minha disposição.” Ela não tinha o menor constrangimento! Não tinha o menor problema em relação a ser casada com um homem mais jovem o qual ela mantinha.
(Kadu e Arlete na pele do excentrico casal Vasco e Germana Steen)
No decorrer da trama, Rubens e Susana durante um beijo do casal Roberto e Marina, sentiram um frisson diferente, e foi ali que os atores começaram um intenso romance. "Foi o beijo da mulher-aranha. Rubens é um sedutor, e eu me apaixonei. Tivemos uma incrivel lua-de-mel na Europa que durou dois meses.", confessou Susana Vieira, naquela época.
Manoel Carlos pesquisou profundamente os fatos dos anos 20: as manchetes dos jornais, o que as pessoas daquela época comiam e bebiam, como a sociedade se comportavam e vestiam. As palavras, gestos, etiquetas eram exatos, e traduziam o que se passavam naquele tempo. O autor usou o tempo real: a novela começaria em junho de 1925 e chegaria a dezembro de 1926. Os principais fatos históricos estariam incluídos na trama.
(Arlete Salles e Mario Cardoso em cena)
O grande público ficou encantado com a novela e fez de "A Sucessora" um marco na teledramaturgia do Brasil. As gravações aconteciam nos antigos estúdios da Rua Von Martius, e no seu maravilhoso processo de evolução, já com uma produção superestruturada e bem cuidada. Os personagens tiveram vários figurinos reproduzindo as suas caracteristicas, e a direção da trama fico nas mãos do saudoso Herval Rossano.
Manoel Carlos teve o mérito também em divulgar o talento de Carolina Nabuco, que escreveu o romance no início dos anos 30 e, igenuamente, anos antes, mandou um exemplar para um agente literário nos Estados Unidos. Como não obteve nenhuma resposta, a escritora esqueceu da história. Isto é, até ler o lançamento do livro da escritora inglesa Daphne Du Maurier. "Rebecca" era igual o romance de Carolina. Alguns artístas e críticos chegaram afirmar que foi um roubo escandaloso. Daphne ficou famosa e o livro ganhou uma versão cinematográfica entitulado de: "Rebecca, a Mulher Inesquecível", dirigida por Alfred Hitchcock, e lançado em 1940.
Quase 40 anos depois, a escritora viu seu livro virar novela no horario das 18h. "Nunca imaginei que fosse emocionar tanta gente", declarou ao lado dos atores Rubens de Falco e Susana Vieira, que chegaram a visitar a escritora em São Paulo durante a exibição da novela em 1978/1979.
(A autora do livro que deu origem a novela, Carolina Nabuco.)
Infelizmente as novas gerações teram pouquíssimas oportunidades de vê-la novamente, pois a Rede Globo tem enorme vontade de repetir essas novelas, só que a maior parte dos telespectadores ignoram novelas de época, que dirá se a Globo reprisar uma novela de época feita nos anos 70. No canal VIVA, que também é da Globo, nunca foi reprisada novelas dos anos 70. Vamos torcer por um DVD.



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